terça-feira, 1 de julho de 2014

missing people, or the people who will be missed


A 72 dias da partida, conversando com uma das novas parceiras de viagem, me veio na cabeça a pergunta:

Então, quem eu quero "levar comigo"? Meus pais, meu irmão... Meus amigos? Quais amigos? Quem é amigo?

Dizem alguns que o sobrenome Faria é sinônimo de temperamento forte. Eu digo que é sinônimo de gênio do cão mesmo. Ou cavalo de fogo. Então eu posso me considerar uma pessoa difícil de se lidar às vezes. Ou o tempo todo. Mas não sou pior do que a mamãe. Talvez os genes se diluam um pouco com o passar das gerações e eu possa ter crianças de feitio doce.

Por ser difícil de se lidar, eu sou teimosa. Orgulhosa, cabeça-dura, chata... E impaciente. Talvez por isso, ou talvez por todo o resto, eu tenha amizades que não sobreviveram à corda-bamba. E talvez eu sinta saudade desses. Vai ser difícil dizer. Costumam dizer que minha memória é muito boa, então que eu leve comigo os pensamentos bons sobre cada um e passe uma borracha sobre os ruins... Mesmo que o rabisco ainda deixe marcas no papel, que a memória também não me deixa esquecer.

Não sei quem eu quero que me leve no aeroporto. Não sei se quero ser levada por alguém. Não sei se quero meus pais, meus amigos, ou os dois. Não sei se quero despedidas. Não sei se vou ficar homesick. Não sei se estou sick of being home. Não sei se é a ansiedade.

São 72 dias para passar essa borracha. São 72 dias para escrever novas lembranças. São 72 dias para os 365 dias (ou menos) mais esperados da minha vida. Os mais novos 5% da minha vida. E às vezes são os 5% que fazem a diferença que você menos espera. Ou 20 segundos. Newcastle Upon Tyne, eu não sei se estou pronta para partir, mas estou louca para chegar logo.

A saudade é algo sem tradução, então eu talvez devesse senti-la agora. Mas de quem?

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